Escritores uruguaios recomendados

Uruguai é centro de grandes escritores que tem conquistado seu lugar de relevância nas letras hispano-americanas. O século XX viu se consolidar a importantes figuras da literatura uruguaia, começando pela laureada “Generacion del 900”, na que escritores como Horacio Quiroga, Florencio Sánchez, Delmira Agustini e José Enrique Rodó desenvolveram uma literatura com identidade própria.

Gerações posteriores (como a emblemática “Generación del 45”) tiveram como referentes a Mario Benedetti, Juan Carlos Onetti e (embora posterior) Eduardo Galeano, representantes da literatura nacional em todo o mundo. Por todo Montevidéu e as cidades do interior se encontram excelentes livrarias onde aceder aos melhores das letras uruguaias e acompanhar a viagem com boas leituras autóctones.

Mario Benedetti (1920-2009)

 

Escritores uruguayos: Mario Benedetti

Mais de 80 livros conformam a bibliografia de Benedetti, o principal embaixador da literatura uruguaia no mundo, traduzidos a mais de 20 línguas. Nasceu em Paso de los Toros (departamento de Tacuarembó) em 1920, mas desde criança morou na capital. Buenos Aires, La Habana e Madrid forma também suas cidades de residência durante o exílio político na Ditadura dos anos setenta.

Benedetti se iniciou nas letras na redação do semanário marcha, onde se desempenhou entre 1945 e 1974. Também foi critico literário nas publicações Marginalia, Número e La Mañana. Sua obra literária cultivou todos os gêneros: conto, novela, poesia, ensaio, drama. Seu primeiro volumem de contos foi Esta mañana y otros cuentos (1949), ao que seguiram Montevideanos (1959), Con y sin nostalgia (1977), Geografías (1984) e Despistes y franquezas (1989) como suas obras mais representativas em narrativa breve.

Sua primeira novela foi Quién de nosotros (1953), embora seu reconhecimento internacional chegasse com La Tregua (1960), que originou uma versão cinematográfica em 1974, nomeada ao Oscar como melhor filme estrangeiro. Gracias por el fuego (1965), El cumpleaños de Juan Ángel (1971), Primavera con una esquina rota (1982), La borra del café (1992) e Andamios (1996) completam sua produção de novelas, todas obras de grande êxito.

Sua obra poética se reúne em mais de trinta volumes, onde se destacam Cotidianas, Poemas de otros, Viento del exilio e Las soledades de Babel. O mais significativo de sua poesia se compila no Inventario Uno (1963), Inventario Dos (1994) e Inventario Tres (2003), livros mais que recomendados para se aproximar à vasta criação do autor. O retrato cotidiano de Montevidéu, o exílio e o compromisso com os outros são alguns dos temas abordados em sua literatura.

Juan Carlos Onetti (1909-1994)

 

Escritores uruguayos: JuanCarlos Onetti

Inovador e original, Onetti é considerado pela critica o melhor escritor uruguaio e um dos melhores narradores modernos em língua castelhana.  Nascido em Montevidéu, Onetti começou sua labor literária também no jornalismo (trabalhou em Reuter, Marcha, Vea y Lea, Acción, Ímpetu). Em 1974 foi preso pelo governo ditatorial de Bordaberry. Finalmente foi exilado em Madrid, onde permaneceu até seu falecimento.

El pozo (1939) iniciou uma vasta produção novelística, com títulos emblemáticos como Tierra de nadie (1941), La vida breve (1950), El astillero (1961), Juntacadáveres (1964), Dejemos hablar al viento (1979) ou Cuando ya no importe (1993). Suas novelas se recopilam em dois volumes: Obras completas, I. Novelas (1939-1954) e Obras completas, II. Novelas (1959-1993), editados em 2006 e 2007 respectivamente. O compilado Obras completas, III. Cuentos, artículos y miscelánea (2009) reúne suas obras breves. A leitura de Onetti nos introduz a um universo pessimista, tão inquietante como fascinante, onde a solidão, o crime e a rotina são temas recorrentes.

Eduardo Galeano (1940-)

 

Escritores uruguayos: Eduardo Galeano

Também formado no labor jornalístico, Eduardo Galeano é considerado um dos escritores latinos americanos mais influentes e é o autor uruguaio contemporâneo mais reconhecido fora de fronteiras. Sua obra não é fácil de classificar, já que se aproxima as características do ensaio, a narrativa, o analise político e a investigação histórica, transcendendo os gêneros em sua missão de resgatar a memória da América Latina.  

Eduardo Galeano subiu no ranking de vendas no ano 2009, quando o presidente venezuelano Hugo Chávez deu de presente a seu par norte americano, Barack Obama, um exemplar Las venas abiertas de América Latina. Trata-se da obra prima de Galeano, publicada em 1971, onde analisa a história da América Latina através de suas sucessivas colonizações. Desde sua publicação, este texto tem sido um referente na literatura política do continente.

A Las venas abiertas… se adiciona um vasto listado de obras emblemáticas como a trilogia Memoria del fuego (1982-1986), Crónicas latinoamericanas (1972), Vagamundo (1973), El libro de los abrazos (1989), Las palabras andantes (1993) e Fútbol a sol y a sombra (1995). Criador incansável, recentemente publicou Carta al señor futuro (2007), Espejos. Una historia casi universal (2008) e Los hijos de los días (2011).

 

 

Comentarios

  1. Sergio

    Começarei por Onetti, gracias!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*